Anos 80
A década de 80 foi marcada pelo retorno gradual à democracia. A abertura política se
concretizava, os brasileiros voltavam a escolher seus dirigentes, os políticos cassados
regressavam ao país e à vida pública. Uma reforma partidária criou novas siglas, que
expressavam o novo desenho das forças sociais.
Mas, se a política comemorava a volta da democracia, a economia anunciava tempos
difíceis. Naqueles anos, o país se debateria contra uma inflação crescente e, ao que
parecia, invencível. Os índices econômicos positivos conquistados em períodos
anteriores ficariam, quando muito, estacionários. Foram tempos difíceis, em que se
avançou bem pouco. Os brasileiros estavam naquela que viria a ser chamada de
“década perdida”.
Para superar ou pelo menos amenizar as sucessivas crises, foi preciso reinventar,
reciclar, buscar novos rumos e novas maneiras de alcançar o sucesso. Logo no início
da década, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico se tornava Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Era apenas mais uma letra
na sigla, mas um mundo novo de expectativas e desafios se abria.
No começo dos anos 80, o parque industrial estava finalmente instalado. Contudo,
esgotara-se o processo de substituição de importações como fonte de dinamismo para
a economia. Foi nesse contexto que o BNDES adotou a prática do planejamento
estratégico, com elaboração de cenários prospectivos.
Em 25 de maio de 1982, pelo decreto-lei 1940, o governo do presidente Figueiredo
(1979-84) criou o Fundo de Investimento Social (Finsocial). O objetivo era apoiar
programas de alimentação, habitação popular, saúde, educação e amparo ao pequeno
agricultor. Com um imposto cobrado sobre a renda, o governo tentava assim
minimizar as gigantescas carências sociais do país.
Caberia ao BNDES incentivar o desenvolvimento econômico em paralelo com o
desenvolvimento social. Para tanto, o Banco criou uma unidade que cuidaria das
operações do Finsocial. A partir de 1986, com a regulamentação do Finsocial, o BNDES
teve presença mais ativa nas aplicações das verbas desse fundo. Antes, porém, o
Banco já participava de programas sociais em parceria com o Instituto Nacional de
Alimentação e Nutrição, a Legião Brasileira de Assistência e outras entidades.
Contribuía, por exemplo, no combate a dois grandes problemas brasileiros: a doença
de Chagas e a malária.
Com a experiência adquirida, o BNDES desenvolveu maior autonomia e se concentrou
em obter recursos e elaborar projetos na área social. Dentre eles, estavam o
assentamento de trabalhadores rurais, mediante a aplicação de recursos para a
reforma agrária, e o Pró-Creche, programa destinado a apoiar as empresas no
cumprimento da legislação correspondente.
Com recursos do Finsocial, construíram-se, por exemplo, escolas para meninos de rua,
ou hemocentros em vários estados. Mas em 1990 esses recursos deixaram de ser
aplicados pelo BNDES. Em 1996, com a criação da Área de Desenvolvimento Social, o
Banco voltaria a dar ênfase ao apoio a projetos de cunho social.
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